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Wednesday, September 28, 2005

Geração de Cenouras

Por que toda forma de vida tem uma duração determinada? Por que não nos questionamos muito sobre a quantidade de velas no nosso bolo de aniversário? Sempre me perguntei sobre o significado da vida, sobre o significado da morte e até mesmo o porquê morremos, mas não me lembro de ter pensado muito (ou pouco) sobre a duração da vida. Estranho... Afinal de contas, não vivemos o mesmo tempo que vive uma tartaruga (salvo aquelas pertencentes a membros da minha família, submetidas a condições dignas de estudo) nem o tempo que vive uma mosca!

Nossa vida tem uma duração média equivalente ao nosso estilo de vida e meio ambiente, com toda certeza. Mas começamos nossa história como humanos já com essa média mais ou menos determinada. Apenas vamos esticando um pouquinho a cada geração ou duas.

Mas realmente, por que vivemos 70-75 anos? (Ou a média que qualquer um preferir). Por que nesse breve período de tempo devemos passar por um número “x” de experiências que nos dará condições emocionais e lógicas de sobreviver à etapa seguinte? Se pararmos para pensar, qualquer jogo é uma cópia fiel do nosso sistema de aprendizado. Começa tudo tranqüilo, fácil, divertido. Em seguida tudo vai ficando mais difícil, rápido e confuso. Até que a gente descobre os segredos do jogo (ou acaba trapaceando e descobrindo uma série de subterfúgios para vencer mais facilmente). A partir desse momento, a brincadeira se torna mais divertida. Bem, ao menos para aqueles que conseguem descobrir a lógica do jogo.

Por que todo jogo tem uma lógica. Uma quantidade, dificuldade e duração de estágios determinadas (a tentação de escrever pré-determinada é bem grande). Por que a vida deveria ser diferente? Criamos os jogos partindo da nossa própria imaginação, baseada certamente nas nossas experiências, cotidianas ou não.

A criação do Universo sempre é um tema espinhoso. Deixando de lado todas as nossas crenças religiosas e/ou espirituais (nunca entendi como uma crença religiosa possa ser diversa de uma crença espiritual... no final das contas é tudo a mesma sopa, não??) de lado, o problema é cientificamente complicado. Mas deixemos também de lado a ciência. Pare agora e imagine algo infinito. Hm... Agora imagine algo eterno... Melhor, imagine algo sem começo e sem fim. Difícil, não é? Nossa mente simplesmente não comporta a idéia, por mais que possamos matematicamente, ou até mesmo, fisicamente provar. Agora pior... Imagine que o universo seja finito! Que virando a esquina da zilhionésima estrela a esquerda o fim do mundo te espera. Simplesmente claustrofóbico.

Já não gosto muito de passar mais do que o tempo necessário em elevadores, imaginar um Universo finito apenas me dá mais dor de cabeça. Mas é uma possibilidade, não é? Afinal de contas, nossas últimas descobertas apontam para um Universo que contrai e expande... Só contrai e expande algo que tem um limite, um tamanho específico. Ou não?

Quem determina o tamanho das coisas? Quem me garante que o infinito não possa crescer? Quando eu era criança (com certeza meus pais podem contestar o tempo verbal...), o infinito para mim era um número muito grande. E quem determina o tamanho das coisas??

Porque certamente quem determinou que o Universo devesse ter um tamanho específico (ou não????) deve ter determinado que o ciclo de vida dos humanos seja a fração de tempo que é. A evolução determinou esse período? Hm... Certamente. Mas por quê? Sei que existe uma clara relação entre o tempo de vida de todos os seres e suas cadeias alimentares. Será que devemos viver o tempo suficiente para comer por volta de 200 gerações de cenouras?

Infelizmente, não tenho a resposta para a minha pergunta inicial. Talvez essa seja uma daquelas questões filosóficas em que mais importante que perguntar e obter uma resposta imediata, o interessante é o caminho que leva à resposta. Afinal de contas, todo e qualquer avanço tecnológico partiu de perguntas como essa. Perguntas que aparentemente não têm resposta, mas que nos levam a ultrapassar qualquer limite imposto pela nossa própria natureza e andar um passo avante.

Ainda não sei por que a vida é breve e essa brevidade é mais ou menos determinada. Não sei por que o Universo foi criado e porque eu nasci humana e não uma beterraba. Não sei quem criou o mundo, nem quando esse mesmo mundo irá chegar ao fim. Mas certamente sei que, enquanto continuamos a questionar a nossa origem e natureza, existirá a criança dentro de nós que acredita que infinito é um número muito grande... E que o mundo é esse lugar maravilhoso e repleto de mistérios onde cada minuto vale a pena ser bem vivido.

Wednesday, September 14, 2005

Páginas em Branco



Ah, uma página em branco... Não existe nada mais incrível que uma página em branco. É como um novo dia. Um novo ano. Uma nova vida. Um história que espera ser escrita. O que poderíamos fazer se tivéssemos uma página em branco? É engraçado como sempre temos essa opção, não é?

O mais engraçado é que tantas pessoas nos bombardeiam com essa idéia ao longo da vida... Não creio, porém, que realmente a abracemos em algum momento dessa mesma vida. Quantas vezes escrevemos em uma página em branco? Quantas e quantas vezes a perspectiva da primeira palavra nos apavora? Basta lembrar as duzentas e uma vezes que tivemos que começar uma redação sobre as férias. Tem coisa mais terrível que voltar às aulas e ter que descrever o verão em uma folha em branco? Rapidamente 90 dias de felicidade se espremem em um mísero texto que mal consegue conter 90 palavras... que dirá dias.

Bem, deixemos a filosofia de começar uma nova vida e dias e semanas e anos de lado e voltemos para a minha página em branco.

É engraçado como algo que aterrorize a maior parte das pessoas possa me dar tamanha alegria. Uma página em branco, para mim, significa um mundo de possibilidades. Um arrepio nos braços que me diz que o caminho é certo. Um mesmo arrepio que me diz que posso estar escrevendo algo que me gere grande satisfação. Uma página inteira à minha disposição. Praticamente escrava das minhas vontades. Sempre lembro meus professores (também pais, tios, avós, papagaio e galinha) constantemente me dizendo: “O papel aceita tudo”! E existem poucas verdades tão verdadeiras quanto esta. O papel realmente aceita qualquer coisa. Por isso mesmo que o usamos, não é?

Uma página em branco para mim significa a mais completa e simples explicação da vida. Um resumo do que eu fui, sou e virei a ser. Um resumo do que eu poderia ter sido. Um infinito campo de sonhos que ainda quero realizar. Um mar de sensações que se tornam reais à medida que as escrevo.

A primeira palavra é decisiva na escolha do texto. É decisiva para saber se o texto a seguir será bem sucedido ou um incrível disparate. Quantos livros deixamos de ler após a primeira página? Não precisa muito para sentir o que será interessante para nós... Tudo por que alguém tinha à sua frente uma primeira página em branco... e a desperdiçou.

Não consigo lembrar quantas vezes sentei em frente a um papel com o lápis na mão e esperei vir a primeira palavra. Seja apenas um simples pronome ou um incrível adjetivo, seja ela apenas uma boba interjeição. Seja lá o que for. Mas a primeira palavra a tocar o papel... É como o primeiro beijo. É como o primeiro amor. É sempre como aprender a escrever nosso nome pela primeira vez. A sensação de identidade que nos mostra que o mundo pode ser nosso agora... porque finalmente somos alguém!

Alguém lembra dessa sensação? Da primeira vez que conseguiu escrever o seu nome e que isso teve um real significado? Eu lembro tão perfeitamente que até é engraçado. Lembro da cor do giz de cera (azul... acho que foi uma das primeiras e últimas vezes que o azul foi usado em algo significativo na minha vida... xi, vejo anos de terapia pela frente), lembro de estar sentada na mesa da cozinha de casa, e lembro que estava no pré. Lembro da folha, que era um uma daquelas folhas de lixa com as quais a gente passa boa parte da infância desenhando. Mas não lembro do desenho... Estranho... Mas não lembro do desenho! Com certeza era uma casa, porque do jardim até hoje ainda desenho a mesma casinha! (Tem gente com cada obsessão)!

Mas, mais importante do que os detalhes são as sensações. A sensação de fazer parte de um mundo, de ser alguém, de pertencer à algo maior que a nossa família. A sensação de ter uma página inteira e um universo para escrever nela. Porque a partir daquele momento você não é mais uma personagem da própria história... você É a história. Você é a própria página em branco.
Opa, voltei aonde comecei...

Hm, creio que justamente essa seja a beleza da página em branco. A liberdade de voltar ao ponto que você quiser, de vir e ir... De andar e parar. De recomeçar. Ao meu ver, ela é a representação mais simples do livre arbítrio, do nosso poder de escolha.

Todos os dias, quando me deparo com uma folha em branco percebo que sempre existe uma escolha. Posso escolher criar através dela um mundo incrível e fantástico ou um mundo real e tangível...

Posso escrever aquela primeira palavra e fazer justamente isso... criar... Ou posso simplesmente deixá-la em branco.

A escolha é sempre minha.

Behind my Shoulders

Every once in a while, I think about growing up. I think about having a different life from the one I have now. I think about changing that little something in me that makes me want more. That makes me have different dreams…
Why is it so hard for me to accept that there is happiness in settling down? Why is it that the older I get, the more I can feel my wings flipping? Why do I keep thinking of place I will move to next? The next places, the new friends I will make. All the new things I will see. Why is it so hard for me to go back home and accept that I might be a tree and not a bird?
Trees are great. Come on! They live a lot. Birds have a life span a lot shorter.
But then again… Oh, just the thought of the wind blowing on my face and beneath my wings… Just the thought makes me want to close my eyes and flow and fly…
I sometimes can feel a physical need to move, to distance myself and seek silence and loneliness. To seek a place where I can hear my thoughts and just let them flow without interference.
And then… I fall in love. I find again and again that other side of me. The wanting one, the one that has the power to clip my wings. I find myself stretching between two powerful needs, the one I show and the one I hide.
That is when I look behind my shoulder and I can see every single person that was or is part of my life. I can see the good and the bad. I look behind my shoulder and I can see myself through all my years trying to make sense of myself. The good and the bad. And every once in a while, I find a piece of me that I want back.
Reading something someone else wrote showed me one of those pieces. It made me remember what it was being 15 and crazy and platonically in love. I could physically feel the pain of my heart breaking. All the crying and the desperate need for someone who does not even know that you are in love at all. All the poems about lost love, drama and unrealized dreams…And then, new love. New hopes and dreams. Easy like that!
Where is the part of me that can fall in love like that and suffer so much? Where is that part of me that can heal so fast? That part can mend the broken links and be whole again. The part that can look behind my shoulders and can chose to ignore what she sees…
Have I flown too far?

Sunday, September 11, 2005

Toda História Tem Um Começo

Pois é... Não é que no final das contas eu acabei montando um blog? Ainda não está nem perto de ficar com a cara que eu queria, mas devo confessar que já estava cansada de ficar bringando com html, css, javascript, etc etc etc... Ainda tenho uma série de mudanças para fazer, mas a cara inicial está aí...

Meu blog vai ser escrito em duas líguas. Sim, eu sei... é meio estranho e pode não ser muito prático. Mas bem mais fácil que ter dois blogs, não acham. Eu nem imagino como vou fazer com um... Não pensem que é ridículo ou esnobe. Tenho amigos que só falam português e amigos que falam inglês. E sinto saudades de todos...

Bem, agora vocês já sabem onde me encontrar quando todas as popssibilidades se esgotarem. Sintam-se em casa para comentar, reclamar e principalmente... me visitar.

Beijos,
Ciça