Páginas em Branco

Ah, uma página em branco... Não existe nada mais incrível que uma página em branco. É como um novo dia. Um novo ano. Uma nova vida. Um história que espera ser escrita. O que poderíamos fazer se tivéssemos uma página em branco? É engraçado como sempre temos essa opção, não é?
O mais engraçado é que tantas pessoas nos bombardeiam com essa idéia ao longo da vida... Não creio, porém, que realmente a abracemos em algum momento dessa mesma vida. Quantas vezes escrevemos em uma página em branco? Quantas e quantas vezes a perspectiva da primeira palavra nos apavora? Basta lembrar as duzentas e uma vezes que tivemos que começar uma redação sobre as férias. Tem coisa mais terrível que voltar às aulas e ter que descrever o verão em uma folha em branco? Rapidamente 90 dias de felicidade se espremem em um mísero texto que mal consegue conter 90 palavras... que dirá dias.
Bem, deixemos a filosofia de começar uma nova vida e dias e semanas e anos de lado e voltemos para a minha página em branco.
É engraçado como algo que aterrorize a maior parte das pessoas possa me dar tamanha alegria. Uma página em branco, para mim, significa um mundo de possibilidades. Um arrepio nos braços que me diz que o caminho é certo. Um mesmo arrepio que me diz que posso estar escrevendo algo que me gere grande satisfação. Uma página inteira à minha disposição. Praticamente escrava das minhas vontades. Sempre lembro meus professores (também pais, tios, avós, papagaio e galinha) constantemente me dizendo: “O papel aceita tudo”! E existem poucas verdades tão verdadeiras quanto esta. O papel realmente aceita qualquer coisa. Por isso mesmo que o usamos, não é?
Uma página em branco para mim significa a mais completa e simples explicação da vida. Um resumo do que eu fui, sou e virei a ser. Um resumo do que eu poderia ter sido. Um infinito campo de sonhos que ainda quero realizar. Um mar de sensações que se tornam reais à medida que as escrevo.
A primeira palavra é decisiva na escolha do texto. É decisiva para saber se o texto a seguir será bem sucedido ou um incrível disparate. Quantos livros deixamos de ler após a primeira página? Não precisa muito para sentir o que será interessante para nós... Tudo por que alguém tinha à sua frente uma primeira página em branco... e a desperdiçou.
Não consigo lembrar quantas vezes sentei em frente a um papel com o lápis na mão e esperei vir a primeira palavra. Seja apenas um simples pronome ou um incrível adjetivo, seja ela apenas uma boba interjeição. Seja lá o que for. Mas a primeira palavra a tocar o papel... É como o primeiro beijo. É como o primeiro amor. É sempre como aprender a escrever nosso nome pela primeira vez. A sensação de identidade que nos mostra que o mundo pode ser nosso agora... porque finalmente somos alguém!
Alguém lembra dessa sensação? Da primeira vez que conseguiu escrever o seu nome e que isso teve um real significado? Eu lembro tão perfeitamente que até é engraçado. Lembro da cor do giz de cera (azul... acho que foi uma das primeiras e últimas vezes que o azul foi usado em algo significativo na minha vida... xi, vejo anos de terapia pela frente), lembro de estar sentada na mesa da cozinha de casa, e lembro que estava no pré. Lembro da folha, que era um uma daquelas folhas de lixa com as quais a gente passa boa parte da infância desenhando. Mas não lembro do desenho... Estranho... Mas não lembro do desenho! Com certeza era uma casa, porque do jardim até hoje ainda desenho a mesma casinha! (Tem gente com cada obsessão)!
Mas, mais importante do que os detalhes são as sensações. A sensação de fazer parte de um mundo, de ser alguém, de pertencer à algo maior que a nossa família. A sensação de ter uma página inteira e um universo para escrever nela. Porque a partir daquele momento você não é mais uma personagem da própria história... você É a história. Você é a própria página em branco.
Opa, voltei aonde comecei...
Hm, creio que justamente essa seja a beleza da página em branco. A liberdade de voltar ao ponto que você quiser, de vir e ir... De andar e parar. De recomeçar. Ao meu ver, ela é a representação mais simples do livre arbítrio, do nosso poder de escolha.
Todos os dias, quando me deparo com uma folha em branco percebo que sempre existe uma escolha. Posso escolher criar através dela um mundo incrível e fantástico ou um mundo real e tangível...
Posso escrever aquela primeira palavra e fazer justamente isso... criar... Ou posso simplesmente deixá-la em branco.
A escolha é sempre minha.
O mais engraçado é que tantas pessoas nos bombardeiam com essa idéia ao longo da vida... Não creio, porém, que realmente a abracemos em algum momento dessa mesma vida. Quantas vezes escrevemos em uma página em branco? Quantas e quantas vezes a perspectiva da primeira palavra nos apavora? Basta lembrar as duzentas e uma vezes que tivemos que começar uma redação sobre as férias. Tem coisa mais terrível que voltar às aulas e ter que descrever o verão em uma folha em branco? Rapidamente 90 dias de felicidade se espremem em um mísero texto que mal consegue conter 90 palavras... que dirá dias.
Bem, deixemos a filosofia de começar uma nova vida e dias e semanas e anos de lado e voltemos para a minha página em branco.
É engraçado como algo que aterrorize a maior parte das pessoas possa me dar tamanha alegria. Uma página em branco, para mim, significa um mundo de possibilidades. Um arrepio nos braços que me diz que o caminho é certo. Um mesmo arrepio que me diz que posso estar escrevendo algo que me gere grande satisfação. Uma página inteira à minha disposição. Praticamente escrava das minhas vontades. Sempre lembro meus professores (também pais, tios, avós, papagaio e galinha) constantemente me dizendo: “O papel aceita tudo”! E existem poucas verdades tão verdadeiras quanto esta. O papel realmente aceita qualquer coisa. Por isso mesmo que o usamos, não é?
Uma página em branco para mim significa a mais completa e simples explicação da vida. Um resumo do que eu fui, sou e virei a ser. Um resumo do que eu poderia ter sido. Um infinito campo de sonhos que ainda quero realizar. Um mar de sensações que se tornam reais à medida que as escrevo.
A primeira palavra é decisiva na escolha do texto. É decisiva para saber se o texto a seguir será bem sucedido ou um incrível disparate. Quantos livros deixamos de ler após a primeira página? Não precisa muito para sentir o que será interessante para nós... Tudo por que alguém tinha à sua frente uma primeira página em branco... e a desperdiçou.
Não consigo lembrar quantas vezes sentei em frente a um papel com o lápis na mão e esperei vir a primeira palavra. Seja apenas um simples pronome ou um incrível adjetivo, seja ela apenas uma boba interjeição. Seja lá o que for. Mas a primeira palavra a tocar o papel... É como o primeiro beijo. É como o primeiro amor. É sempre como aprender a escrever nosso nome pela primeira vez. A sensação de identidade que nos mostra que o mundo pode ser nosso agora... porque finalmente somos alguém!
Alguém lembra dessa sensação? Da primeira vez que conseguiu escrever o seu nome e que isso teve um real significado? Eu lembro tão perfeitamente que até é engraçado. Lembro da cor do giz de cera (azul... acho que foi uma das primeiras e últimas vezes que o azul foi usado em algo significativo na minha vida... xi, vejo anos de terapia pela frente), lembro de estar sentada na mesa da cozinha de casa, e lembro que estava no pré. Lembro da folha, que era um uma daquelas folhas de lixa com as quais a gente passa boa parte da infância desenhando. Mas não lembro do desenho... Estranho... Mas não lembro do desenho! Com certeza era uma casa, porque do jardim até hoje ainda desenho a mesma casinha! (Tem gente com cada obsessão)!
Mas, mais importante do que os detalhes são as sensações. A sensação de fazer parte de um mundo, de ser alguém, de pertencer à algo maior que a nossa família. A sensação de ter uma página inteira e um universo para escrever nela. Porque a partir daquele momento você não é mais uma personagem da própria história... você É a história. Você é a própria página em branco.
Opa, voltei aonde comecei...
Hm, creio que justamente essa seja a beleza da página em branco. A liberdade de voltar ao ponto que você quiser, de vir e ir... De andar e parar. De recomeçar. Ao meu ver, ela é a representação mais simples do livre arbítrio, do nosso poder de escolha.
Todos os dias, quando me deparo com uma folha em branco percebo que sempre existe uma escolha. Posso escolher criar através dela um mundo incrível e fantástico ou um mundo real e tangível...
Posso escrever aquela primeira palavra e fazer justamente isso... criar... Ou posso simplesmente deixá-la em branco.
A escolha é sempre minha.



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