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Sunday, June 25, 2006

The Loneliness of the Long Distant Hunter

"(…) In a single cracking instant we were endowed with a universe that was vast (…), possibly any size up to infinite(…)." Bill Bryson on A Short History of Nearly Everything


Picture: Loneliness by hexentanz



A solidão sempre foi um tema que me fascinou. Verdade seja dita, eu tenho um pouco de estranheza em mim. Não por acaso eu costumava visitar cemitérios porque eu amava a paz, a quietude, o mistério… e amava ler as lápides com os epitáfios. Não foi à toa que eu cresci lendo poesias e os clássicos. Eles são repletos de lágrimas, derramamento de sangue em nome do amor e desespero e, repletos de solidão.

Quando eu li um artido na BBC News (Loneliness Could Be in Your Genes) que discutia sobre a solidão e suas raízes genéticas, minha curiosidade foi atiçada. Eu não posso dizer que tenha ido muito mais longe ao lado cientifico da história. Não posso dizer que tenha ido muito longe ao lado psicológico ou sociológico também. Para dizer a verdade, eu não fui muito mais longe a nenhuma direção. Mas o artigo me fez pensar e me fez querer escrever algo a respeito.

Hoje, o tema da noite será: SOLIDÃO! Vamos começar do princípio (e existe algum outro ponto de começo?). A definição de solidão no dicionário é:
  • Condição, estado de quem está desacompanhado ou só.
  • Lugar ermo, retiro.Isolamento.Caráter dos lugares ermos, isolados.
  • Sentimento de depressão resultante de se estar só.

Todos nós nos sentimos sós ao menos uma vez em nossas vidas. As sensações variam, mas em geral nós experimentamos algum ponto da lista:
  • Vazio ou superficialidade;
  • Sentimento de isolamento ou separação do mundo;
  • Vago sentimento de que algo não está certo;
  • Um profundo sentimento de privação e dor;
  • A não existência de alguém com quem dividir os sentimentos e experiências;
  • Sentimento de falta de conexão e alienação com o entorno e com as demais pessoas;
  • A vida parece sem sentido e sem pessoas com quem dividi-la;
  • Sentimento de desconforto ao se estar só e consigo mesmo;
  • Sentimento de que não existe ninguém na sua vida que se importe com você;
  • Estar sem amigos ou se companhia;
  • Sentimento de que não existe ninguém que queria estar com você;
  • Sentimento de abandono e exclusão;
  • Incapacidade de se conectar com qualquer pessoa em nível físico ou sentimental.

As causas sociais da solidão têm sido amplamente estudadas e discutidas. Agora cientistas estão chegando a novas conclusões: a solidão pode estar em nossos genes. Essa teoria pode ser explicada antropologicamente, mas ainda resta encontrar a prova genética.
"Pesquisadores afirmam que a solidão pode ter se desenvolvido cedo na evolução humana como uma resposta dos “caçadores” enfrentando condições de desnutrição. Esses caçadores podem ter decidido não dividir suas provisões com suas famílias. Ao sobreviver à fome, nossos ancestrais podem ter sido capazes de se propagar durante os períodos fartos, teorizam os pesquisadores. Ao desenvolver a solidão como adaptação para a sobrevivência, esses antigos humanos também desenvolveram tendências à ansiedade, hostilidade, negatividade e a tendência de evitar a sociedade, eles disseram." (http://news.softpedia.com/news/Loneliness-Could-Be-Hereditary-12218.shtml)
Dessa forma, nossos ancestrais caçadores podem ter garantido nossa existência através da exclusão social. É realmente interessante. Mas Não esqueçamos que o sistema social não foi criado ao acaso. Ele foi uma reposta natural dos humanos, e de todos os demais seres vivos, para o problema da segurança. Ao escolher o caminho da exclusão, nosso ancestral pode nos ter salvado da não-existência, mas também pode ter criado boa parte dos problemas sociais que hoje enfrentamos.

A idéia de que o nosso ancestral solitário caçados possa ter alterado o modo como nós nos comportamos e interagimos é suportada pelo Darwinismo. Existe boa chance de que o caçador, ao não dividir sua comida, pode sobreviver e passar através de sua prole o “kit genético” necessário totalmente equipado com o egoísmo e com a solidão. Desde então nós aprendemos que é necessário viver em grupos, mas também necessário ser um pouco egoísta e saber se virar sozinho se nós queremos sobreviver.

O gen da Solidão também combina bastante com o gen do Macho Alfa. Machos principais gostam de estar sozinhos, quer dizer, sem a presença de outros machos competidores. Eu duvido que qualquer pessoal possa discordar do fato que o comportamento do Macho Alfa (que se aplica também às fêmeas de uma forma um pouco diferente) ainda seja uma característica humana. Nós já temos uma combinação para lá de explosiva sem nem ao menos contar com qualquer outra característica humana. Por outro lado, quais das nossas respostas ao meio ambiente não se torna parte dos nossos genes? Em que ponto o nosso comportamento cruza a linha e se torna uma herança genética? Eu lembro claramente de ter longos debates no segundo grau e aulas de sociologia na faculdade totalmente dedicadas a distribuir a culpa dos nossos atos ou nos nossos genes ou no meio ambiente.

Tendo Darwin ao meu lado novamente, eu me sinto confiante ao dizer que muito nos nossos genes vêm das respostas dos nossos antepassados ao seu meio ambiente, se não todas. Os vencedores sobreviveram e passaram para frente sua herança. Nossa herança genética é feita completamente de lentas mudanças no comportamento das espécies e nas mudanças de suas características físicas (que podem ter sido causadas pelo comportamento que podem ter causar diferentes comportamentos também). Essas mudanças fizeram de nós quem somos. Então, seria seguro dizer que nossa pré-disposição à solidão é genética. Alguns podem ser mais pré-dispostos que outros, da mesma forma que algumas pessoas podem ter olhos mais escuros que outras. Hm... Encontrar o gen pode ser um “pouco mais” difícil que minhas divagações nenhum pouco cientificas, imagino eu.

Eu me pergunto se já não carregamos em nossos genes um pequena parte de informação que nos diz como atender ao telefone... Até que ponto os nossos genes estão programados para responder instintivamente? Em que ponto de nossa evolução nós estamos? Depois de quantas gerações um determinado comportamento se torna genético? OK... Este texto já está um tanto quanto longo! Já cobrimos terreno suficiente sobre genética e sobre o nosso passado. Nosso próximo passo será conversar um pouco mais sobre o presente... E sobre solidão. E a mesma velha pergunta: estamos sozinhos no Universo?

Mais a seguir....




Patriotismo


O patriotismo é um sentimento interessante. O amor à pátria que se manifesta de formas diferentes em cada nação, em cada cultura. Em alguns locais é extremamente bélico e protecionista, em outros, poético e ufanista.

Houve épocas em que o patriotismo era extremamente romântico. Repleto de epopéias que eloquentemente denunciavam o amor eterno à pátria. Houve épocas em que o patriotismo foi um sentimento bem mais prático, completamente ligado à sobrevivência. Morrer pela pátria ou viver na prisão ideológica/real de colônia/nação dominada. Houve o patriotismo de grupos diversos que pensavam saber melhor QUEM era a nação em relação ao grupo “adversário”. Houve o patriotismo dos interesses políticos e financeiros dominantes e houve o patriotismo do medo.

Hoje, nós Brasileiros, vivemos a época em que o patriotismo é representado pelo futebol. É... eu sei... Todo mundo fala isso. Bem, como e sou parte de “todo mundo”, também me sinto no direito de comentar o fato.

Não temos guerras iminentes, não temos inimigos à espreita nem problemas sociais generalizados. Claro, a “brincadeira de polícia e ladrão” no Rio de Janeiro é um problema social dos mais graves do Planeta. Mas é um problema localizado e, infelizmente, não nos mobiliza como nação.

O futebol nos mobiliza como nação.

O futebol nos une em torno de medo e esperança coletivos. O futebol nos rende indefesos perante uma guerra que para nós tornou-se “vida ou morte”.

O nosso patriotismo nesse momento é tão forte e sincero que angaria seguidores por onde passa. Não só dentro de nosso exército de torcedores, mas também dentre as legiões adversárias.

O amor à pátria, assim, assume dimensões mais incríveis e até mesmo mais abrangentes do que uma guerra poderia. Mesmo não sendo mais importante ou mais ligado à sobrevivência. Mas porque é prerrogativa do ser humano ligar-se àquilo que escolhe por amor. Amamos a pátria verdadeiramente não quando a amamos porque nela nascemos. Amamos a pátria quando assim escolhemos.

Lutamos pelo nosso país, procuramos defendê-lo com unhas e dentes. Choramos, sacrificamos nosso sangue, suor e filhos. Mas, lutamos pela pátria unidos por uma miscelânea de sentimentos, amor, ódio, necessidade de sobrevivência, convicção ideológica, falta de alternativas, fome, medo e paixão.

Quando torcemos pelo nosso país em uma simples partida, somos unidos por sentimentos bem menos complexos; somos unidos pelo amor e paixão. Nem mesmo é a competitividade que nos faz vibrar. É simplesmente puro deleite.

Nessa hora, somos todos igualmente brasileiros. Não existe aquele que ama mais à bandeira. Ah... Ainda lembro a época em que era desrespeitoso cobrir-se com a bandeira nacional. Em que era desrespeitoso vestir-se com a bandeira. Péssimos tempos. Que sensação boa colocar uma camiseta com a bandeira estampada. Que prazer se enrolar na bandeira e sentir uma proteção similar àquela que sentimos quando somos crianças e nossos pais nos pegam no colo.

E esse é o amor à pátria que eu chamo de patriotismo. Um amor que não é ligado à razão nenhuma senão ao próprio amor que nasce sem explicação. Que nasce sem razão. Mas que desafia toda e qualquer forma de lógica. Amamos a pátria não porque temos uma ideologia ou cultura, amamos a pátria não porque dela depende a nossa sobrevivência. Amamos a pátria não porque nos falta alternativas.

Amamos a pátria porque ela é nossa... e nós somos dela.

E viva o futebol!




Saturday, June 24, 2006

Where is Gargamel???

Você nunca imaginou como seria morar embaixo de um cogumelo??? Hm... eu já...

Tuesday, June 20, 2006

Crossroads


"Happiness is as a butterfly which, when pursued, is always beyond our grasp,
but which if you will sit down quietly, may alight upon you.
- Nathaniel Hawthorne

Você já parou para pensar quantas vezes na vida nos sentimos em uma encruzilhada? Quantas vezes temos dificuldade de decidir entre dois ou mais caminhos? Sensação chatinha essa, não?

É um instante tão absurdamente cotidiano em nossas vidas, mas mesmo assim sentimos como se esse fosse um momento digno de epopéias... E na verdade, é! A cada fração de segundo tomamos uma decisão. Cada decisão que tomamos altera não só nosso presente, mas todo o nosso futuro. Para falar a verdade, altera o futuro de todas as pessoas à nossa volta. Se quisermos pensar de forma mais globalizada, cada decisão nossa altera a vida de todos os habitantes do planeta. Aquela velha história do efeito borboleta.

Alguém já explicou para você o que é o efeito borboleta? Não? Bem, pois eu vou. Claaaaaaaro que não vou explicar de forma bem correta e científica. Senão não seria eu explicando, não é?

Pois então... O Efeito Borboleta é um dos fenômenos que faz parte da Teoria do Caos. Eu sei, eu sei... O nome por si só já assusta. Mas nem vamos entrar no caos de explicar o caos porque senão fica muito longa a história (como se já não estivesse...). Ele foi descoberto por um cientista chamado Edward Lorenz. Lá estava ele trabalhando com previsões meteorológicas quando verificou que pequeninas alterações nos dados inseridos em computadores programados para fazer cálculos em série causavam outras alterações em sistemas dinâmicos (bem simplificado: é um sistema complexo formado por uma série de variáveis e que sofre alterações ao longo do tempo).

Pois então. Nessa brincadeira, os cientistas meteorologistas começaram a perceber que minúsculas alterações na movimentação de ar alteravam o curso e a intensidade de tempestades tropicais. Daí para perceber a aplicação do Efeito em quase todas as ciências foi um pulo.

E é uma descoberta incrível. Extremamente simples, mas mesmo assim incrível. É óbvio que qualquer pequena alteração em um ponto afeta o segundo, que por sua vez se altera e afeta o terceiro e assim por diante. Mas a percepção de um efeito não faz dele real... Ao menos não cientificamente. Para vocês terem idéia, a tempestade tropical a qual eu mencionei acima aconteceu em 1998. Sem contar que computadores preparados para cálculos relativos a teorias como a Teoria do Caos são bem mais recentes do que imaginamos (mesmo a teoria tendo sido desenvolvida lá pela década de 60).

Incrível, não?

Pensem só... Cada copo de água que vocês tomam influencia o copo de água que um nigeriano está ingerindo agora. Cada sorriso seu influencia o sorriso dado por uma criança na Sumatra.

Cada ação nossa tem uma repercussão, tem uma conseqüência. Eu sei que é algo óbvio como todo o resto... Mas leve em consideração que aquela tempestade tropical que deveria acontecer na Louisiana acabou virando um tornado gigantesco que atacou a Flórida. Isso tudo por uma pequena alteração nas movimentações de ar lá no distante Alasca, lembram?

Por isso, cada vez que eu me encontrar em entre dois ou mais caminhos vou pensar um pouco mais sobre qual deles seguir. Afinal de contas, o que amanhã pode ser apenas uma pequena alteração nos meus hábitos, depois de amanhã pode vir a ser uma vida completamente diferente.



Borboleta superior: http://soubriquet.net/type/2005/11/bq-butterfly.gif

Borboleta inferior: http://www.deviantart.com/deviation/10104491/