/*style starts > css*/

Sunday, June 25, 2006

Patriotismo


O patriotismo é um sentimento interessante. O amor à pátria que se manifesta de formas diferentes em cada nação, em cada cultura. Em alguns locais é extremamente bélico e protecionista, em outros, poético e ufanista.

Houve épocas em que o patriotismo era extremamente romântico. Repleto de epopéias que eloquentemente denunciavam o amor eterno à pátria. Houve épocas em que o patriotismo foi um sentimento bem mais prático, completamente ligado à sobrevivência. Morrer pela pátria ou viver na prisão ideológica/real de colônia/nação dominada. Houve o patriotismo de grupos diversos que pensavam saber melhor QUEM era a nação em relação ao grupo “adversário”. Houve o patriotismo dos interesses políticos e financeiros dominantes e houve o patriotismo do medo.

Hoje, nós Brasileiros, vivemos a época em que o patriotismo é representado pelo futebol. É... eu sei... Todo mundo fala isso. Bem, como e sou parte de “todo mundo”, também me sinto no direito de comentar o fato.

Não temos guerras iminentes, não temos inimigos à espreita nem problemas sociais generalizados. Claro, a “brincadeira de polícia e ladrão” no Rio de Janeiro é um problema social dos mais graves do Planeta. Mas é um problema localizado e, infelizmente, não nos mobiliza como nação.

O futebol nos mobiliza como nação.

O futebol nos une em torno de medo e esperança coletivos. O futebol nos rende indefesos perante uma guerra que para nós tornou-se “vida ou morte”.

O nosso patriotismo nesse momento é tão forte e sincero que angaria seguidores por onde passa. Não só dentro de nosso exército de torcedores, mas também dentre as legiões adversárias.

O amor à pátria, assim, assume dimensões mais incríveis e até mesmo mais abrangentes do que uma guerra poderia. Mesmo não sendo mais importante ou mais ligado à sobrevivência. Mas porque é prerrogativa do ser humano ligar-se àquilo que escolhe por amor. Amamos a pátria verdadeiramente não quando a amamos porque nela nascemos. Amamos a pátria quando assim escolhemos.

Lutamos pelo nosso país, procuramos defendê-lo com unhas e dentes. Choramos, sacrificamos nosso sangue, suor e filhos. Mas, lutamos pela pátria unidos por uma miscelânea de sentimentos, amor, ódio, necessidade de sobrevivência, convicção ideológica, falta de alternativas, fome, medo e paixão.

Quando torcemos pelo nosso país em uma simples partida, somos unidos por sentimentos bem menos complexos; somos unidos pelo amor e paixão. Nem mesmo é a competitividade que nos faz vibrar. É simplesmente puro deleite.

Nessa hora, somos todos igualmente brasileiros. Não existe aquele que ama mais à bandeira. Ah... Ainda lembro a época em que era desrespeitoso cobrir-se com a bandeira nacional. Em que era desrespeitoso vestir-se com a bandeira. Péssimos tempos. Que sensação boa colocar uma camiseta com a bandeira estampada. Que prazer se enrolar na bandeira e sentir uma proteção similar àquela que sentimos quando somos crianças e nossos pais nos pegam no colo.

E esse é o amor à pátria que eu chamo de patriotismo. Um amor que não é ligado à razão nenhuma senão ao próprio amor que nasce sem explicação. Que nasce sem razão. Mas que desafia toda e qualquer forma de lógica. Amamos a pátria não porque temos uma ideologia ou cultura, amamos a pátria não porque dela depende a nossa sobrevivência. Amamos a pátria não porque nos falta alternativas.

Amamos a pátria porque ela é nossa... e nós somos dela.

E viva o futebol!




0 Comments:

Post a Comment

<< Home