Gocce di Memoria
Às vezes me pergunto o que define quais as lembranças que perduram em nossa mente e quais se esvaem com o passar dos anos. Quais são as regras da nossa memória?
Tenho que certeza que dentre minhas inúmeras lembranças posso encontrar momentos de extrema importância, mas também outros sem grande conseqüência. Também tenho total convicção que outros diversos instantes se perderam no ar. Lembranças que eu sei que gostaria de ter, mas não tenho.
Nos últimos meses tenho me encontrado com diversas das minhas lembranças, as que eu lembro constantemente e também aquelas que eu julgava perdidas. Tenho olhado para o meu passado com olhos diferentes, lembrando de diferentes dias, de diferentes pessoas... De um passado meu, certamente, mas de uma pessoa que não é mais quem eu sou hoje.
Eu sei que parece óbvio a afirmação de que a personagem principal das minhas lembrancas não é a pessoa que sou hoje. Claro que parece. Mas existem dias em que o peso dessa afirmação é mais forte. Mais presente.
Em pouco mais de um mês eu revisitei meu passado em boa parte das fases mais significativas da minha vida . Eu reencontrei amigos, reencontrei cartas, reencontrei fotografias... reencontrei memórias. De certa forma, eu reencontrei uma algumas parte de mim que precisavam ser reencontradas.
Mais do que tudo, reencontrei algumas peças do quebra-cabeça que é EU. Porque todos somos um quebra-cabeça, não somos? Feito de partes acrescidas a cada dia, partes que são mais fáceis de reconhecer aonde se encaixam e de outras mais difíceis de saber aonde vão.
Sabe aquela sensação de encontrar resposta para algumas perguntas antigas, encontrar explicação para alguns medos, encontrar justificativa para alguns comportamentos? Pois então...
Revisitar o passado pode ser perigoso. Podemos nos perder em nossas lembranças e acabar esquecendo de perceber que vivemos no presente. Mas também pode ser uma infinita fonte de inspiração e respostas. Tudo depende de como escolhemos olhar para trás.
Tudo depende das lembranças que escolhemos guardar e das que escolhemos perder.
Algumas aparecem no presente para reavivar um sonho esquecido. Outra aparecem para apagar uma esperança que nem sabíamos ter. E algumas... algumas aparecem para lembrarnos que não podemos mudar nosso passado... Mas podemos mudar nosso futuro. Que não temos segundas chances, mas tempos novas oportunidades. Que não podemos reabrir portas fechadas, mas que podemos criar novas portas com o mesmo destino.
Não sei dizer porque algumas lembranças ficam presentes dentro de nós por mais tempo... Não sei explicar porque algumas pessoas nos afetam tanto sem nem mesmo percebermos.
Mas eu sei, sem sombra de dúvida, que essas lembranças nos ajudam a definir quem somos hoje. Essas gotas de memória são peças do nosso quebra-cabeça... mesmo quando fazem parte marcante da nossa fotografia... mesmo quando perdidas no azul do céu que se estende ao fundo...



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